Definição de isozonas de precipitação no semiárido brasileiro

Juliana Argélia Garcia de Almeida

Francisco Jácome Sarmento


A escassez de recursos hídricos tem sido vista como um dos principais problemas na atualidade. O impacto da crise tem imposto rigorosos esquemas de racionamento à população bem como ao setor econômico em diversas regiões do país.

Nas esferas do planejamento e da gestão das águas tem-se buscado respostas adequadas à situação estabelecida. Em particular, nas zonas de histórica carência hídrica, estudos regionais têm sido realizados com o objetivo de otimizar as decisões e ações, maximizando a racionalidade do uso das reservas disponíveis. Nesse contexto, da perspectiva técnica, o conhecimento do comportamento de variáveis hidrológicas é de extrema importância.

A lida com as informações disponíveis esbarra não raramente na baixa quantidade de séries temporais com extensão útil e consistência adequada. Embora relativamente privilegiadas sob o aspecto de serventia aos propósitos dos estudos de natureza hidrológica, as séries temporais de chuva demandam tratamento específico que as caracterize do ponto de vista qualitativo, o qual geralmente lança mão de técnicas capazes de corrigir anomalias e preencher lacunas nas séries de extensão e continuidade atrativas.


Em termos quantitativos, uma das maneiras mais eficazes para contornar a carência de dados é pelo uso de procedimentos de regionalização. Segundo Tucci (1993), trata-se de um conjunto de técnicas e ferramentas estatísticas e matemáticas que buscam auxiliar, utilizando valores conhecidos, a estimativa de variáveis hidrográficas cujo real valor não pode ser medido, dentro de uma área de comportamento hidrológico semelhante.


Dentro desse contexto e devido a importância da confiabilidade dos dados, podendo estes, comprometerem os resultados de qualquer ação ou metodologia aplicada, faz-se necessário o uso de rigoroso tratamento e análise de consistência de dados, a fim de obter séries homogêneas, preenchidas e consistidas.

A análise de consistência pluviométrica tem sido recorrentemente realizada pelo método denominado Vetor Regional. Segundo os autores (Hiez e Rancan, 1983), o Vetor Regional é uma série "de índices pluviométricos anuais ou mensais, oriundos da extrapolação por um método de máxima verossimilhança, da informação mais provável, contida nos dados de um conjunto de estações de observação agrupadas, por região". Um procedimento específico dirigido ao preenchimento de falhas observacionais de chuva é apresentado por Sarmento (1991) tendo como base o uso conjunto de vetores regionais anuais e mensais, aliados à equações regressivas lineares múltiplas.

O método do Vetor Regional procura descrever o fenômeno da precipitação no tempo e no espaço como produto de um efeito regional (representado pelo próprio vetor indexado no tempo) e de um efeito local (representado pelo vetor de coeficientes). Assim, pode-se dizer que os componentes do vetor de coeficientes promovem a conversão local da influência regional associada a ocorrência de precipitações.


A descrição da variabilidade espacial das componentes conversoras do efeito regional encontra nas técnicas de interpolação uma potencial ferramenta para a estimativa de valores não conhecidos. Para Burrough (1986), a interpolação espacial é o procedimento para se estimar valores de propriedades de locais não amostrados, baseando-se em valores de dados observados em locais conhecidos.

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